era tudo sol, agreste, ermo
coelhos, cobras, pássaros
e aragem, nenhum pasto
papa-capim, bem-te-vis, desterro
um barracão sonolento
mil novecentos sessenta e oito
empregados absortos
o riacho Bandeira correndo
antes mil novecentos e sessenta e dois
aqui diziam será o Polo
seis anos à espera no colo
no peito o que virá depois?
quantos seriam, cento e oitenta
diziam, era menos,
o disse me disse somenos
um soninho modorrento
após almoço banho no riacho
a canicula a calcinar a terra
umbuzeiro à espera
de um namorico abaixo
assim o vi, veio a ordem
começar a Obra, demitir metade
só uns oito saíram tarde
agora é trabalho, agora o Polo.

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