quarta-feira, agosto 03, 2022
ÉTICA A NICÔMACO. 2
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Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele
mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; e se é verdade que nem
toda coisa desejamos com vistas em outra, porque, então, o processo se repetiria
ao infinito, e inútil e vão seria o nosso desejar, evidentemente tal fim será o bem,
ou antes, o sumo bem.
Mas não terá o seu conhecimento, porventura, grande influência sobre a essa
vida? Semelhantes a arqueiros que têm um alvo certo para a sua pontaria, não
alcançaremos mais facilmente aquilo que nos cumpre alcançar? Se assim é,
esforcemo-nos por determinar, ainda que em linhas gerais apenas, o que seja ele
e de qual das ciências ou faculdades constitui o objeto. Ninguém duvidará de que
o seu estudo pertença à arte mais prestigiosa e que mais verdadeiramente se
pode chamar a arte mestra. Ora, a política mostra ser dessa natureza, pois é ela
que determina quais as ciências que devem ser estudadas num Estado, quais são
as que cada cidadão deve aprender, e até que ponto; e vemos que até as
faculdades tidas em maior apreço, como a estratégia, a economia e a retórica,
estão sujeitas a ela. Ora, como a política utiliza as demais ciências e, por outro
lado, legisla sobre o que devemos e o que não devemos fazer, a finalidade dessa
ciência deve abranger as das outras, de modo que essa finalidade será o bem
humano. Com efeito, ainda que tal fim seja o mesmo tanto para o indivíduo
como para o Estado, o deste último parece ser algo maior e mais completo, quer
a atingir, quer a preservar. Embora valha bem a pena atingir esse fim para um
indivíduo só, é mais belo e mais divino alcançá-lo para uma nação ou para as
cidades-estados. Tais são, por conseguinte, os fins visados pela nossa investigação,
pois que isso pertence à ciência política numa das acepções do termo.
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