Portas abertas ao infinito
janelas escancaram o planisfério,
covas abertas o cemitério,
piras ardentes nem mais um grito.
que horror, poeta funéreo
tu assustas, é brincadeira
escreves de outros mistérios
quero atrás da bananeira
brincar de esconde esconde
até que afogueados
nos abracemos a roupa ao lado
agora é a hora, não tem por onde
fugir, é a famosa fome
a vontade de comer
eu quero, stá tudo a ver
tens haver, força, come!
Charles Fonseca

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