A FAMA
Charles Fonseca
do papel de carta perfumado
cartão postal apaixonado
goma arábica selo carimbo amigo
antigamente nem tinha morse
era no telefone de parede
não tinha segredo, crêde,
cartinha no saco de lona forte
ia tudo escrito na mala
o dinheirinho sem cofre
o guarda-fio de cobre
na marinete, a verde mata
minha mãe era a chefe
meu pai o troca pilha
de Volta vasos em fila
eu ao telefone, escreve
diziam pra mim compenetrado
alô, quero passar um telegrama
falava, do povoado
menino prodígio, a fama

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