A CENA. Charles Fonseca
A CENA
Charles Fonseca
Morava num pensionato perto do Hospital. No mesmo quarto um estudante de teatro e mais um meu colega. Súbito o estudante rotineiramente calado bradou: Atenção forças armadas de Ipiaú! E começou uma fala desconexa. Meu colega falou pra mim: o cara pirou. Saiu amarrado e foi internado no Santa Mônica. Nosso quarto dava para um sótão cujo tabuado cobria o banheiro embaixo. Nele havia um furinho que só visualizava a banheira. Certo dia a filha da dona do pensionato estava a fazer suas abluções higiênicas quando uma tábua se desprendeu do teto e pelo espaço vazio uma perna moreno escura aflorou. De imediato a proprietária expulsou meu estimado colega. Fiquei só. Minha mãe era amiga dela desde Ipiaú. Há uns quatro anos a moça me encontrou no Shopping Barra e me disse: sei que você é bem casado mas quando era rapaz o que era que você achava de mim? Estava acompanhada pela filha. Sussurei ao seu ouvido: gostosinha. E saí de imediato da cena. Pano rápido
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