DEZ
Charles Fonseca
as tuas pernas tesas
gemidos inexprimíveis
desejos em vão sofríveis
em tua mão a destreza
na minha caneta dura
daquelas bico de pato
descrevo potência em ato
vicário, quanta paúra
pobre nós de amor tão ricos
sós a usar só as mãos
em teu corpo os desvãos
em mim dez dedos tristes

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