MARIA
Tarso de Melo
para minha tia Socorro,
que se foi, hoje, curtir o Natal
noutras estrelas
Um dia, um dia qualquer,
entrou numa piscina e deixou lá
suas palavras, a voz firme,
a ideia forte e o rito
de lavar louças, que cumpria
veloz, falante, com mão feliz.
Desde então, seus olhos tentavam
dizer o adeus que não queríamos ouvir.
Tinha Socorro no nome,
mas não como quem o pedisse.
Como quem o fosse: coração
-fortaleza (ou melhor: coração
-recife) para quem fica aqui hoje
numa véspera avessa
aplaudindo o quanto deixa
do tanto que foi.
segunda-feira, fevereiro 10, 2020
MARIA. Tarso de Melo. Poesia
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