Epístola para meus medos.
Fiama Hasse Pais Brandão
Sois: os sons roucos, a espera vã, uma perdida imagem.
O coração suspende
o seu hálito e os lábios tremem
sinto-vos, vindes ao rés da terra, como
ventos baixos,
poisais no peitoril. Sois muito antigos e jovens,
da
infância em que por vós chorava encostada a um rosto.
Que saudade eu tenho,
ó escuridão no poço,
ó rastejar de víboras nos caniços, ó vespa
que,
como eu, degustaste o figo úbere.
Depois, mundo maior foi a presença e a
ausência,
a alegria e as dores de outros que não eu.
E um dia, no alto
da catedral de Gaudí,
chorei de horror da Queda, como os caídos anjos.
sexta-feira, dezembro 02, 2011
Epístola para meus medos. Fiama Hasse Pais Brandão
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