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domingo, novembro 21, 2010

ECONOMIA

A Tese da Dilma e a Miriam Leitão

Stephen Kanitz

Escrevi este artigo depois de assistir uma entrevista da Dilma com a Miriam Leitão, na Globo, onde ela não parava de atacar a Dilma pela lentidão no PAC.
No meio da conversa, Dilma introduziu o conceito de custo de capital, e que a dívida interna brasileira era a culpada pelo seu alto nível elevando os juros e reduzindo o apetite para tomar riscos no Brasil.
Nenhum economista jamais havia feito um mea culpa em público como esse, que o Brasil não crescia porque o Estado toma para si 1 trilhão de recursos e gasta mal.
É o que os administradores, há 40 anos, vêm alertando como sendo o "crowding out", o Estado competindo de forma desleal com o setor produtivo, tomando para si toda a poupança nacional.
Desleal, porque anunciam que é "garantida por dois governos", que é um "investimento sem risco", algo que a imprensa especializada não para de falar.
Esquecem dos calotes e das manipulações da correção monetária, que a imprensa, com exceção da Veja, raramente comentou.
Uma ex-guerrilheira falando de Custo de Capital das empresas? Só faltava ela mencionar o WACC (Weighted Average Cost of Capital). Dei um pulo, e fiquei impressionado que Miriam simplesmente mudou de assunto, diante de uma revelação destas.
Dilma aprendeu conceitos como WACC quando Ministra de Minas e Energia, de um diretor financeiro do setor, amigo meu. Ela, segundo ele, aprende rápido.
Economistas e jornalistas econômicos sempre iludiram seus leitores que os juros são elevados por política monetária, que bastava reduzi-los por vontade política, por decreto. Quanta bobagem!
Fica óbvio que nunca trabalharam em Banco. Reduza os juros rapidamente e haverá enormes saques, e o governo teria que aumentar os juros rapidamente, por falta de recursos para saldar os que estão se retirando.
O ineditismo na entrevista da Dilma é dizer que os juros são elevados porque a dívida do Estado é elevada.
Um Estado que precisa "rolar" a sua dívida continuamente se coloca como presa fácil dos Bancos. É a ideia difundida por Delfim Netto, que "dívida não se paga, dívida se rola".
E quem não tem como pagar uma dívida, é indefeso ao aumento dos juros impostos pelos bancos.
Por outro lado, comece a pagar parte de uma dívida, e os juros caem.
Basta às vezes somente ameaçar ou blefar, mas sabendo a máxima do Delfim Netto, os juros só subiam, até ser o mais elevado do mundo.
Dilma não somente vai ameaçar saldar a dívida, mas pretende devolver 50% desta dívida aos bancos, reduzindo os juros drasticamente, que comentarei nos próximos artigos.
A Miriam Leitão, para meu espanto, não percebeu e foi quando decidi escrever este artigo na Veja, dando total apoio à Dilma na sua luta.
Alguém tem que elogiar o governo, mesmo sendo de oposição, quando falam a coisa certa.
O editor da Veja, diga-se de passagem, não mudou uma vírgula, pergunta que me fazem toda semana, nem a frase "nós administradores de esquerda", uma frase que eu estava testando, para ser usada num artigo futuro, que comentarei.
Escrevendo o artigo, descobri para minha surpresa que a tese já estava contida no discurso de posse do segundo mandato de Lula, e novamente a imprensa econômica, e eu pessoalmente lamento, ignorou totalmente.
No próximo artigo, vou elaborar mais profundamente as implicações desta tese, que me permitiu dizer como ando dizendo, que os próximos 20 anos serão os melhores da nossa história.
Conhecendo o perfil gerencial da Dilma, tenho certeza que ela implantará a sua tese, custe o que custar. Apesar da torcida contra, e os simples observadores que acham que nestas horas ninguém precisa ajudar.
Se conseguir, Dilma garantirá a sua reeleição e a escolha do seu sucessor.
Mesmo sabendo agora das consequências que este artigo me acarretou, o faria novamente.
É esta a verdadeira função da imprensa. Elogiar a oposição quando ela confessa que errou, e apoiá-la no seu intento de mudar de rumo.

http://blog.kanitz.com.br/2010/11/a-tese-da-dilma-e-a-miriam-leit%C3%A3o-.html

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