domingo, julho 09, 2017

Dia de Santo na Bahia

Morei 65 anos na Bahia. Nunca tinha ido num Candomblé. Chegaram uns turistas amigos querendo conhecer. Em apuros pedir socorro a uma amiga. De um lado os homens do povo de Santo. Do outro as mulheres. De vez em quando meu amigo olhava para elas. Fiscalizando, olhava o que ele estava olhando. Intervalo. Pratos quentes distribuídos entre todos. Cheguei perto de um negão e disse também quero. Veio um prato enorme com abará, efó, xinxin de galinha, acarajé, sarapatel, etc. Grato, perguntei ao negão onde pagar. O tempo fechou. Vi que tinha dado uma mancada. Pedi desculpas. Ele me disse que era uma quarta feira de oferendas aos orixás. Que era tudo de graça. Que não desse nem gorjeta ao flanelinha caso tivesse vindo de carro. Debaixo de uma mangueira sagrada fui comendo devagarinho, contrito. Súbito um branco todo de branco chapéu todo cheio de colares. Estes caindo sobre o peito. Me abraçou com força. Era meu colega médico da mesma turma de 1968. Chamou alguém e nos conhecemos como da mesma Faculdade. Era o presidente da associação civil do Candomblé de Mãe Stella, enfermeira tisnada do negro azulado da mãe África. Quando for à Bahia vou lá. Numa quarta feira de oferendas. Para horror de irmãos protestantes que lamentam eu ser o único católico apostólico romano. Querem que eu me salve do inferno.