terça-feira, junho 06, 2017

O tempo. Ewerton Mendonça. Poesia

O TEMPO
Ewerton Mendonça

Está na fruta que amadurece, na criança que cresce, no homem que envelhece e na ruga que aparece ...

Está no segundo tempo das partidas de futebol, nas olimpíadas, nas corridas de automóvel, no beijo roubado, no encontro dos enamorados ...

Está na dor que não passa, na encomenda que não chega, na fila que não anda, na viagem de avião ...

O tempo está na monotonia dos dias nublados, no tédio dos desocupados, na correria dos assoberbados e na harmonia dos serenos ...

Está no sono que não vem, no dia que já vai amanhecer, na preguiça de uma rede, na comida que se come mastigando calma ou demoradamente ...

Está na sopa quente, no sorvete de mangaba, no cuscuz com ovo, no aipim com carne do sol e no jiló ...

Também está no sorriso da brasileira, na passada segura da mulher que passa, na pisada da outra que maltrata seu olho, no suave caminhar das que desfilam ...

O tempo está no olho do observador, no objeto observado, nos produtos comprados, nos prazos de validade e na vaidade de quem não quer envelhecer ...

Está nos contratos, nas contas, no final do mês, nas distâncias, nas estradas e na janela de quem vê a vida passar ...

O tempo está nos computadores, nos celulares, nas rodoviárias, nas estações de ônibus, trens e metrôs ...

O tempo sobra para os aposentados e é escasso para os trabalhadores da ativa ...

Está nas trilhas, nos trilhos, nas cirurgias e na previsão meteorológica ...

Está na nuvem que desliza suavemente no firmamento, no pássaro que voa e na conversa dos que jogam dominó na praça ...

Está nas segundas intenções, nos minutos de sabedoria, nas horas difíceis, nos dias de calor, nas semanas de julgamento, nos meses de frio, nos anos de recessão, nas décadas de atraso, nos séculos iluminados, nas eras geológicas e nos anos-luz que separam as galáxias ...

O tempo estica ou encurta, viaja, descansa, acaba e é eterno ...

(Em 06-06-2017, pensando no tempo)