sábado, março 04, 2017

Despetalando. Charles Fonseca. Poesia

DESPETALANDO
Charles Fonseca

Quanto tempo não fui pai
Tantos filhos que não tive
Afetos que não obtive
Minha vida se esvai

Como a névoa da manhã
Pós a treva como o orvalho
Despetala flor do galho
Adormece a sorte vã

De esperar ao sol poente
Já em prata pêlos cãs
Acorda a esperança chã
De filhos ter novamente

Agora porém como netos
Meus quem sabe adotivos
Vão-se as paixões pelos idos
Vêm-me amores tão ternos!