segunda-feira, março 06, 2017

Cangaço. Charles Fonseca. Poesia

CANGAÇO
Charles Fonseca

Passageiro tu que andas
Pelas ruas e vielas
Dize-me por entre velas
Se ela mandou lembrança

Daqueles tempos de outrora
Daquele riso tão largo
Montada em mim em cangaço
Eu seu cavalo na aurora

De sua vida chegada
De susto sem previsão
Sem mais nem menos então
Eu cavalo relinchava

Se a vires por aí
Tão cheia de objetos
De planos diz que abjeto
Estou sem ela a sorrir

Diz também que eu já cansado
De esperar pelo porvir
De ir a ela e ela ir
Se afastando pelo lado

Que estou aqui qual dantes
À mercê da ilusão
De amar por alusão
A ela tal qual foi antes.