sábado, fevereiro 11, 2017

Devir. Charles Fonseca. Prosa

DEVIR
Charles Fonseca

Algumas coisas a contar, o tempo urge, a vida escoa. Mas ainda nem tudo está preparado. Só poucos haverão de saber, pra cada um diversa a versão, cada qual sua visão, surpresa, tristeza, poderá haver até alegria, pasmo, ódio, um amor infinito, saudade do que poderia ter sido, arrependimento pelo julgar por inferência, maldade, maledicência. O tempo corre, o vento assopra, o sol que nasce é o mesmo que se põe e ainda assim restará no peito de cada qual, do que se foi, do que será, do que virá, uma ternura, lição aprendida, uma sabedoria oculta, inatingível, no aquém, no alguém, no que viria a ser e se foi.