sexta-feira, janeiro 13, 2017

O poeta jardineiro. Charles Fonseca. Prosa

O POETA JARDINEIRO
Charles Fonseca

É bem verdade que mais jardineiro que vate. Que vá te danar essa pretensão de ser bardo, borda outra, escriba! Diriam os mais achegados ou afoitos. O fato é que na minha rua calçada nenhuma casa tem passeio calçado. Em toda a rua o passeio é coberto por grama esmeralda. Usei vistosa luva amarela, óculos de proteção contra mau olhado e algum pedregulho, passei a roçadeira, o ancinho, colhi o lixo e o coloquei no porta-lixo elevado que cada casa possui. Mas dias antes joguei a lanço calcário dolomítico, reguei e depois, a lanço, adubo npk 10.10.10. Que é pra quando minhas visitas de 3 a 5 dias se hospedarem comigo, fiquem invejosos do verde esmeralda que foi a cor do anel que meu pai queria me dar de presente para a colação de grau em 1968 mas, endividado, preferi tomar emprestado de um colega já no exercício formal da profissão.