quinta-feira, janeiro 12, 2017

Luzes. Charles Fonseca. Prosa

LUZES
Charles Fonseca

A vida me deu uma grande oportunidade. Não só de pensar como de exprimir em prosa e verso a minha razão, a minha emoção. Lamento os que se foram e nada disseram, foram em silêncio de palavras mas não de semblante. Também tenho pesar pelos enrustidos amantes, dos odientos, admiradores ou invejosos, piedosos ou cruéis, os com todos as virtudes e mazelas que escondem dentro de si e não as deixam aflorar, muitos nem florescem, nem sequer transformam suas folhas frustras em espinhos que são elas modificadas. Que pena! Que agonia o não dizer o que se sente nem que seja usando a arte, esta grande mensageira, a poesia e suas metáforas, a música e seus enlevos, a pintura e suas luzes e sombras, a escultura e suas formas, as disformes, também elas são mensagens. Muitos gênios morrem geniosos, outros mais sabidos que todos se vão mas só eles sabem disso. Sabedores do bem e do mau mas mal difundem suas verdades eternas. De minha parte desde 2001 passei a me salvar dos dramas, tragédias, comédias, do amar de mais, do querer de menos, de me livrar no simbólico das letras daquilo que não me foi possível no real às vezes tão cruel. Abro as asas da imaginação, olho o ínfimo, olho as luzes do céu.