terça-feira, novembro 29, 2016

O corvo. Charles Fonseca. Prosa

O CORVO
Charles Fonseca

Não sabia o que era rima rica. Agradeço a um meu amigo que me despertou para este aspecto epistêmico. As ricas que eventualmente faço nascem de um certo sentido de musicalidade que vai aflorando. Certa vez estudando teclado do qual desisti, compus um canto gregoriano. Quando o ouvi fiquei surpreso com o belo. Perdi o danado, acho que o tinhoso o queimou nas labaredas de uma fogueira chamada vaidade... Outra vez estava ensaiando num coral e o maestro treinava conosco o baixo. Tenho uma irmã que tem um soprano vibrato belíssimo que nunca consegui imitar. Uma sabiá e eu um corvo. Pois bem, no ensaio do coral, sem mais nem menos, cantei um barítono tão vibrato que todos me olharam admirados ante o belo. Nunca mais consegui repetir o feito. Acho que tem influência de um troço chamado repressão, recalque...Voltei a cantar mais pra corvo que pra rouxinol. Crocito muito bem.