Sábado, Outubro 18, 2008

CALMA E SILÊNCIO
Georg Trakl

Pastores enterraram o sol na floresta nua.
Um pescador puxou a lua
Do lago gelado em áspera rede.

No cristal azul
Mora o pálido Homem, o rosto apoiado nas suas estrelas;
Ou curva a cabeça em sono purpúreo.

Mas sempre comove o vôo negro dos pássaros
Ao observador, santidade de flores azuis.
O silêncio próximo pensa no esquecido, anjos apagados.

De novo a fronte anoitece em pedra lunar;
Um rapaz irradiante
Surge a irmã em outono e negra decomposição.

El Greco.
“O quereres”, Maria Bethania.

Quarta-feira, Outubro 15, 2008

RELIGIÃO: POLÍTICA
Ítalo Camargo

E se eu beber do pecado em teu cálice
Culpe-me por tua hipocrisia,
Não sucumbirei aos mandatos de cale-se
Seguirei como Deus de heresia.

Se um dia faminto, eu ter de seus manás,
Não te esqueças dos mil versos de afronta,
Pois aquele que tu alimentarás
Enreda-te se um poema ele apronta.

Tua falsidade me joga em sanha,
Fundastes a religião paliativa
Baseada em teus atos de barganha

E no Culto Santo da voz altiva.
Tua revolta é só demagogia,
Afinal, quem mantém a burguesia?

Le Douanier.
Pavarotti, Una furtiva lagrima, Donizetti.